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  • Dra. Ana

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC)

O TOC juntamente com os transtornos depressivos e ansiosos, são os mais conhecidos dentre as doenças mentais. Tema de piadas e de filmes de comédias, ganhou o senso comum de ser algo engraçado. Mas posso afirmar que o único que não acha graça é aquele que protagoniza a doença.


As obsessões e compulsões, que são a base do quadro, acarretam imensos prejuízos sociais e profissionais.


Este transtorno tem curso prolongado e quando se inicia na infância ou na adolescência, tende a permanecer na vida adulta. O tratamento geralmente é longo realizado através de medicamentos conhecidos como inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Sua alta associação com outros transtornos mentais, como transtornos ansiosos e depressivos, gera muito sofrimento ao portador da doença.


As exigências de higienização na pandemia do COVID-19 com repercussões sobre o aumento do TOC, têm gerado estudos e pesquisas, especialmente para aqueles que lavam as mãos de forma compulsiva com medo obsessivo de se contaminarem.


Qual a diferença entre obsessão e compulsão?


Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição ou DSM-5, “Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados, enquanto compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente”.


Resumindo: diante de um pensamento de repetição (obsessão), se tenta reprimir ou neutralizar com outro pensamento ou um ato (compulsão).


Por exemplo, o pensamento de contaminação leva a rituais de lavar as mãos, tomar banho várias vezes ao dia, escovação de dentes até sangramento de gengiva. A obsessão por simetria desencadeia a compulsão por organização, contagem e repetição. Atos mentais de contar e repetir palavras em silêncio também são exemplos de compulsão. As obsessões e compulsões envolvem de uma até três horas do dia.


Atendi uma paciente que proibiu a família de receber visitas em casa durante 10 anos por medo de se contaminarem. Ela evitava situações que provocavam as obsessões e compulsões com grave repercussão nas relações familiares. Após dois anos de tratamento, ela conseguiu sair de casa e realizar seu sonho, que era viajar.


Estes comportamentos de esquiva para inibir o TOC, geram repercussões acadêmicas, financeiras, sociais e principalmente familiares.


O tratamento apesar de longo é eficaz no controle dos sintomas.


A nossa contribuição é mudar o conceito em relação a doença. Considerar que por trás deste cenário, há um indivíduo que não escolheu este papel.

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