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  • Dra. Ana

Os Transtornos Mentais na Infância e na Adolescência

Quero iniciar este texto com um sincero depoimento de uma mãe sobre sua filha, prestem bem atenção, por favor:


“Minha filha tem 7 anos de idade e, desde os 2 anos, faz terapia. Desde muito pequena, eu percebia a agitação e a inquietação dela, mas foi quando ela começou a se morder e a ter dificuldades para lidar com as frustrações que me preocupei e busquei ajuda. Há 1 ano, foi diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ter uma filha com TDAH é desafiador, os dias são exaustivos e, muitas vezes, me sinto frustrada. Lidar com a oposição constante e a inquietação não só corporal, mas mental dela, requer muito esforço de nossa parte. Entender e me colocar no lugar dela é muito difícil, mas é o exercício diário que procuro fazer, proporcionando um ambiente que a favoreça. Nem sempre isso é possível, porque depende também de como estamos, depende muito mais de mim, de ter respostas positivas ao comportamento dela, do que dela mesma. O que aprendi, ao longo desse tempo, é que não posso esperar dela algo que ela nunca conseguirá me proporcionar.” A., mãe de L (SP)


Essa mãe não está sozinha nesta jornada, uma vez que em torno de uma a cada cinco crianças e adolescentes apresenta algum transtorno mental. E a taxa de prevalência só aumenta com a idade.


No manejo dos transtornos mentais na infância e na adolescência, considero fundamentais dois fatores: o primeiro, um bom contato com a família e a criança; e o segundo, uma equipe multidisciplinar treinada e experiente. O conhecimento extenso das diversas fases do desenvolvimento infanto-juvenil, a fim de se compreender possíveis anormalidades, faz toda a diferença no prognóstico de cada caso. Os diagnósticos e os tratamentos devem ser implementados o mais precocemente possível, porém, sabe-se que a complexidade da maioria dos quadros faz com que, na prática diária, isto talvez não aconteça.


Com interação entre os fatores biológicos, psicológicos e os sociais, os sintomas comportamentais são diversos e compartilhados entre muitos destes transtornos. Pode ocorrer também mais de um transtorno em um mesmo paciente. Alguns exemplos: uma criança com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) pode apresentar também um transtorno específico da aprendizagem. A atividade motora aumentada, desatenção, disfunção social e comportamento de difícil manejo pode estar presente no TDAH e em alguns casos de Transtorno do Espectro Autista. A desatenção é relatada nos transtornos de ansiedade, nos transtornos depressivos, TDAH, entre outros. A negatividade, o desafio e a hostilidade caracterizam o Transtorno de Oposição Desafiante, mas também podem ocorrer nos transtornos ansiosos, depressivos e no TDAH.


A maioria das crianças e adolescentes com esses transtornos apresentam baixa tolerância à frustração, fracasso em alguma área acadêmica, gerando dificuldades para terem sucesso na escola, problemas de socialização (iniciar ou manter as amizades) e graves perturbações familiares.


O sucesso do tratamento depende de toda a equipe envolvida no quadro e das medidas de suporte adotadas. Lembrando que essas crianças e adolescentes significam um desafio ímpar para a família e a escola. A abordagem sempre é a longo prazo. Geralmente, os pais relatam muitas dificuldades no lidar com os comportamentos e sintomas dos filhos e, por isto, precisam de informações corretas sobre o diagnóstico, o tratamento, prognóstico e as práticas adequadas em relação ao quadro.



A vocês, pais, saibam que é absolutamente normal se sentirem cansados e, às vezes, impacientes e frustrados. Não se culpem por estes dias, faz parte da jornada! Parabéns, pois mesmo diante destes enfrentamentos, nunca desistiram de seus filhos!

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