Buscar
  • Dra. Ana

ADOLESCENTE COM DEFICIÊNCIA

Em 2003, no 23 Congresso Brasileiro de Pediatria em São Paulo, tive a oportunidade de falar para pediatras de diferentes regiões do Brasil, sobre o tema “Adolescente com Deficiência”. Desde esta época, algumas conquistas podem ser comemoradas, mas inegavelmente estamos longe de suas necessidades reais.


A maioria dos pais/responsáveis temem, especialmente os de primeira vez, pela fase da vida chamada adolescência.


Qual a diferença entre os adolescentes neuro típicos do adolescente com deficiência? R: Nenhuma. A adolescência é uma transição entre a infância e a juventude, caracterizada por mudanças biológicas, sociais e emocionais. Os impactos destas transformações no adolescente com deficiência, vai depender do grau e do tipo da deficiência.


No aspecto biológico, a puberdade é marcada pelas mudanças físicas como peso, altura e menarca (primeira menstruação). As alterações posturais, oftalmológicas, dentárias, neurológicas necessitam ser avaliadas rotineiramente assim como os níveis glicêmicos e lipídicos. O cartão de vacina deve ser completo e atualizado, seguindo o calendário do Ministério da Saúde para todos os adolescentes.


Muitas das mudanças psicoemocionais também são decorrentes das modificações hormonais e não podem ser desprezadas. Alguns transtornos como ansiedade e depressão, alterações nos hábitos alimentares e do sono, ocorrem com frequência nesta idade.


Considero, entretanto, as mudanças sociais as mais impactantes. Os amigos da infância, com a maturidade, muitas vezes se afastam gerando uma frustração. A iniciação de novas amizades torna-se então um desafio pela aceitação de seus pares. É fundamental que não se descuidem da aparência física e da higiene pessoal. Um exemplo são as mudanças nos odores corporais (pés, axilas e genitálias) de todos os adolescentes. Adolescentes que não tem autonomia nas atividades de vida diária, podem ser sentir constrangidos por seus colegas quando exalam estes odores. É importante andarem limpos, arrumados e receberem elogios, visando a autoestima que nesta idade é comum ficar comprometida.


As adolescentes do sexo feminino devem ser bem alertadas em relação ao perigos daqueles se aproximam com alguma intenção de tirar proveitos de sua condição. Quanto mais orientadas, menor o risco.


Aos pais/responsáveis: a aceitação da deficiência por parte do adolescente e de sua família é importantíssimo para minimizar os impactos destas mudanças. Restrições e punições de nada adiantarão. A melhor maneira de lidar é o diálogo e orientação. O que nunca pode ser esquecido é a valorização das aptidões e das habilidades.

6 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo