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  • Dra. Ana

A GLAMOURIZAÇÃO DOS CIGARROS ELETRÔNICOS ENTRE OS JOVENS

Nos últimos 10 anos, o cigarro eletrônico, ou vape, tem atraído muitos jovens e adolescentes, especialmente por verem este produto ser consumido de forma “natural” entre as celebridades e os famosos nas redes sociais. Só que está longe de ser “natural”. É uma estratégia usada pela indústria de tabaco e, infelizmente, não é nada novo. Foi a mesma fórmula usada anteriormente nos filmes antigos de Hollywood e, na década de 70, para atrair esta mesma faixa etária, quando lançaram os cigarros light.


Desde 2011, houve um aumento do consumo do vape em torno de 20% entre as pessoas com até 40 anos, coincidindo com alguns dados dos últimos anos que mostram elevação das doenças cardiovasculares em pacientes mais jovens. A inalação da nicotina líquida é a principal causadora destas complicações, juntamente com os metais pesados, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, entre outros.


Não sei se é do conhecimento de todos, mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a venda de cigarros eletrônicos desde 2009 no Brasil. Isto não significa que estes produtos deixaram de ser comercializados. Ainda o são, através da internet.


Segundo Dr. Paulo César Rodrigues Pinto Corrêa¹, coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), o uso do cigarro eletrônico está associado a uma doença pulmonar denominada EVALI, do inglês E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury, que cursa com sintomas de febre, dor torácica, falta de ar, náuseas e vômitos e alterações radiológicas e tomográficas pulmonares (as mesmas causadas pela Covid-19).


As indústrias de marcas de bebidas alcóolicas e de tabaco fazem pesquisas e estudos para identificar o que os jovens preferem e, por isto, conseguem estimular o consumo nesta faixa etária. A exposição precoce à nicotina pode ocasionar dependência pelo resto da vida destes adolescentes e jovens, transtornos de humor, câncer de pulmão e de cavidades paranasais. Mesmo com estes dados aterrorizantes, existe um forte lobby da indústria de tabaco para sua liberação, alegando que há diferença entre fumar e vaporizar, dando a falsa noção de que os cigarros eletrônicos são mais seguros do que os convencionais.


Não há diferença entre fumar e vaporizar: tabagismo ainda é a principal causa de morte evitável no mundo. Não há um “nível seguro”. A melhor segurança ainda é não usar.


¹Médicos preveem epidemia de tabagismo se não houver campanhas para educar jovens e profissionais de saúde - Medscape - 5 de janeiro de 2022.


Leia mais em: https://saude.abril.com.br/coluna/guenta-coracao/cigarro-eletronico-coloca-o-coracao-dos-mais-jovens-em-risco/

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