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  • Dra. Ana

A FALTA DE AUTOCONTROLE É TRANSTORNO MENTAL?

Você conhece alguém ou já ouviu falar de crianças e adolescentes que desafiam constantemente as regras sociais e as figuras de autoridade? Que não controlam suas emoções, seus comportamentos e não respeitam os direitos alheios? Se a resposta foi sim, pode ser Transtorno de Controle de Impulsos e de Conduta (Transtornos Disruptivos).


Os tipos mais comuns de Transtornos de Controle de Impulsos e de Conduta são Transtorno de Oposição Desafiante, “o famoso TOD”, Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), Transtorno da Conduta e Transtorno da Personalidade Antissocial.


Mais frequentes no sexo masculino, iniciam-se na infância e na adolescência. São diagnósticos difíceis e complexos e ocorrem em indivíduos com desenvolvimento típico.


Os sintomas não podem ser confundidos com comportamentos esperados para a idade, gênero e cultura. É necessário avaliar o grau do prejuízo, frequência e persistência do quadro na vida da criança e do adolescente.


Os Transtornos de Controle de Impulsos e de Conduta apesar de apresentarem similaridades nos sintomas, cada tipo tem suas próprias particularidades.


O Transtorno de Oposição Desafiante por exemplo, cursa com falta de controle das emoções e da raiva, sintomas vingativos, de irritação e frustração. Inicia-se na primeira infância e por isto é necessária muita cautela no diagnóstico. O TOD NÃO pode ser confundido com “birra” ou “desobediência”. É um padrão de comportamento, constante, frequente, desgastante, com prejuízos nos relacionamentos familiares, sociais e escolares.


As crianças com TOD são questionadoras e desafiam principalmente as figuras parentais. Causam crises conjugais, fraternais (entre os irmãos) e na ação parental individual. Se envolvem com frequência em brigas com os pares e expulsões da escola.


São intituladas de “difíceis”, “temperamentais” e “ovelhas negras da família”.


No Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) ocorrem explosões de agressividade impulsiva e de rápida duração. Uma resposta desproporcional ao tamanho da provocação que geralmente é mínima. Também estão presentes ausência do controle dos impulsos e das emoções que, mesmo sem premeditação, geram comportamentos agressivos, desencadeando prejuízos na vida pessoal, acadêmica e familiar deste indivíduo.


O que é importante no diagnóstico destes transtornos?


Deve-se considerar dois fatores fundamentais.


Primeiro, conhecer e identificar as características comportamentais específicas de cada fase do desenvolvimento na vida da criança e do adolescente. Ter cuidado com diagnósticos e rótulos especialmente em crianças abaixo de 5- 6 anos, que podem apresentar comportamentos desafiadores e explosões de raiva em períodos adaptativos.


E o outro fator é a avaliação do ambiente familiar. Se a família apresenta um padrão de hostilidade e agressividade nas suas relações, não é incomum que a criança apresente os mesmos comportamentos. A reação agressiva da criança desencadeia agravamento e deterioração das relações familiares.


Outros fatores a serem considerados são os temperamentos, os fatores genéticos e os fisiológicos. Os estudos apontam para uma diminuição do cortisol basal e de anormalidades do córtex pré-frontal e na amígdala cerebral. A associação com outros transtornos como TDAH, ansiedade, depressão precisa ser muito bem avaliada.


O tratamento é o grande desafio. Não existe uma fórmula de sucesso. A TCC (terapia cognitivo-comportamental), apoio às famílias, estabelecer novos modelos parentais e o uso de medicamentos (se necessário), apresentam ótimos resultados.


E o mais importante é: PERSISTIR E NUNCA DESISTIR!

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